As cefaleias trigêmino-autonômicas constituem um grupo de condições de alta intensidade e curta duração, caracterizadas por dor unilateral orbitária ou temporal associada a manifestações autonômicas do mesmo lado — lacrimejamento, rinorreia, congestão nasal e vermelhidão do olho.
Entre essas condições, destacam-se a cefaleia em salvas, a hemicrania paroxística, a SUNCT/SUNA e alguns fenótipos de neuralgia trigeminal com hiperatividade autonômica.
O papel do gânglio esfenopalatino
O gânglio esfenopalatino (GEP), situado na fossa pterigopalatina, é um importante núcleo parassimpático envolvido na modulação vasodilatadora craniana e na geração dos sintomas autonômicos que acompanham essas síndromes. Sua participação no arco trigêmino-autonômico explica por que o bloqueio do GEP se tornou uma ferramenta terapêutica eficaz, segura e de rápida execução.
Como é feito o bloqueio
A técnica pode ser realizada por via transnasal, transoral ou transcutânea, embora a abordagem transnasal guiada por imagem seja a mais utilizada por oferecer rapidez e menor desconforto. A aplicação local de anestésico interrompe temporariamente a transmissão parassimpática, reduzindo o componente autonômico e atenuando a intensidade da dor.
Em alguns pacientes, observa-se resposta imediata, com redução significativa das crises; em outros, a técnica é utilizada como estratégia de transição para estabilização terapêutica.
O que a evidência mostra
A literatura demonstra benefício tanto em crises agudas quanto como medida preventiva em casos selecionados, especialmente na cefaleia em salvas. Quando utilizada dentro de um protocolo estruturado — associada a ajustes farmacológicos, avaliação de gatilhos, otimização do sono e acompanhamento longitudinal — o bloqueio do GEP diminui a necessidade de medicação de resgate e melhora o controle geral da doença.
O bloqueio esfenopalatino em São Luís
Em São Luís, a realização do bloqueio esfenopalatino com anestésico local, guiado por ultrassom ou endoscopia nasal quando indicado, tornou-se uma alternativa de baixo risco para pacientes que convivem com crises incapacitantes e refratárias.
O reconhecimento precoce dos fenótipos trigêmino-autonômicos e a indicação adequada do bloqueio representam um avanço importante no tratamento da dor craniofacial complexa. Em pacientes com crises frequentes, intensa limitação funcional ou intolerância aos fármacos tradicionais, a intervenção adequada pode modificar o curso da doença e oferecer alívio significativo.
As informações deste texto não substituem uma avaliação médica. Cada caso de dor crônica é único e deve ser analisado individualmente por um profissional de saúde habilitado.
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